O lugar. A educação.

Educação Infantil 


“Se a criança é capaz de se entregar por inteiro ao mundo ao seu redor em sua brincadeira, então em sua vida adulta será capaz de se dedicar com con­fiança e força a serviço do mundo.” 
Rudolf Steiner

Um refúgio acolhedor e harmônico, que nos remete arquetipicamente (como imagem que vive em nós) até a casa de nossos avós. Assim é o Relicário de Luz, que protege a infância e permite que as infâncias (em suas mais diversas manifestações) sejam vividas plenamente. Nesse lugar encantado tem sempre fruta fresquinha e a alimentação é integral e orgânica. 

A voz humana que expressa a nossa individualidade faz ressoar antigas cantigas pelo Relicário. Volta e meia uma ciranda. E ao final da manhã uma história contada ao pé do ouvido. E a nossa história da humanidade, a nossa cultura dita popular é aqui expressa, manifestada.

Ali o brincar viceja espontaneamente. Sem interferências, induções, num ato livre de criação. A imaginação que pulsa na criança a leva a desvendar a si mesma e ao mundo. As crianças são ouvidas e respeitadas, em seu tempo, em sua individualidade, em sua história única. Não há pressa e nem antecipação. 

Os adultos estão à trabalhar, transformando o mundo com as suas mãos: preparando o alimento, cuidando do quintal, consertando os brinquedos, limpando, organizando, costurando. E as crianças podem sempre ajudar. E elas se aproximam, olham e se dispõe a participar.

Há também os momentos em que as mãos se movimentam artisticamente: ao percorrer um instrumento musical, com o corpo bailando ao som de uma bela canção, ao possibilitar o encontro das cores criando no papel em branco diferentes paisagens.

As mãos. Ah as mãos! A nossa potência, o que trazemos de habilidade, o que há de mais precioso, os nossos saberes, transformando-se através das mãos em algo vivo diante das crianças.  

"É preciso uma aldeia inteira para se educar uma criança", diz um dito popular africano. No Relicário esta vila é tecida por todos, independentemente da função exercida diante da criança: professor, professora,  materneira, jardineira, pai, mãe, cuidador, padrinho, madrinha, avô, avó e os chamados de colaboradores, que tem um papel fundamental no espaço educacional: o senhor que conserta e constrói, a senhora que deixa o ambiente limpo e organizado, o homem que cuida da horta e do quintal. Todos somos educadores. Uma vila que dialoga, que troca impressões, que estuda, que almeja a inteireza do ser, que se dispõe a se olhar e transformar-se em prol da educação das crianças. 

Recebemos crianças de um até seis anos, no maternal e jardim de infância. Há três grupos com idades diferentes, de um e dois anos, de dois até quatro anos, e de quatro até seis anos. Em alguns momentos as crianças tem a oportunidade de estarem juntas: no brincar diário, na caminhada matinal, ou em outros momentos que forem necessários. Como numa vila onde as crianças de diferentes idades se encontram e fazem o que é da criança: brincar.


Ensino Fundamental



O portal. Nada fica para trás. A infância vivida plenamente acompanha a criança para o outro lado: o brincar, as cantigas, as histórias, o trabalho humano, o cuidado, o olhar atento a cada individualidade. Do outro lado a possibilidade de desvendar o mundo pelo universo das letras, dos saberes que a humanidade guarda em seu baú. Um baú aberto pelo olhar do professor e da professora. Mas também por todos aqueles que transitam por esta aldeia nomeada de Relicário de Luz.

Uma aldeia onde os saberes dialogam, se relacionam e são vivenciados intensamente, independentemente da lupa, do óculos em que se escolha para olhar para o mundo: a botânica, as línguas, a matemática, a literatura ou outra mais. Não um aprendizado que acontece apenas pelo viés da razão, transformado em algo morto, desprovido de vitalidade, separado em caixinhas.



Ao acender uma fogueira encontro as leis da termodinâmica. E no fogo há poesia, ou até mesmo um caminho histórico de desenvolvimento da humanidade. É caminhando na mata que encontro a botânica. Ou a geografia do ambiente, a literatura com uma história imaginada ali, ou a tão conhecida educação física, a educação que se propõe ao movimento. As palavras que ressoam diferentemente em cada língua, ou com cada som entoado numa cantiga, ou com diversas expressões numa peça de teatro.  Em cada som as notas musicais e seus enigmas da matemática e da física. Encontrados também nas construções, nas profissões arquetípicas (primordiais), como a costura e a marcenaria. Ou estamos aqui falando também da geometria.



Os saberes são um vasto universo e podem ser desvelados em todo lugar. E há diversas maneiras de apreendê-lo. Nesta vila tudo o que acontece é com o intuito de aguçar o olhar do educador e da criança, despertando o encantamento pelo mundo que as cerca e pelo seu próprio mundo, de forma viva e intensa. A criança sente-se parte do mundo e é impelida a desvendá-lo, transformá-lo, reinventá-lo. Com suas próprias mãos. De maneira autônoma e livre. É o que fazem os cientistas, os artistas, os empreendedores. É uma educação viva inspirada num pensamento/olhar/portura sistêmica.

 

Por enquanto, o nosso ensino fundamental corresponde do primeiro ao quinto ano, de seis até dez anos.