quinta-feira, 16 de julho de 2020

Caixa de Tesouros. De Lucas para Pedro. De Pedro para Lucas


“A caixa de tesouros do Lucas vai para Pedro”.

Lucas e Pedro. Que tesouros iriam trocar estes novos amigos de nomes antigos?

De cá e de lá, a escolha e feitura de cada tesouro se deu a muitas mãos. Mãos de crianças, mães e avós que tocaram elementos simples e corriqueiros, enchendo-os de alma. Transformando-os em qualquer coisa encantada. Em tesouros.

Do quintal de Pedro para a casa de Lucas, a natureza apareceu em folhas, galhos, conchas e pedras. Até um limão siciliano chegou, vindo das terras de sua avó. As mãos da mamãe Raquel se fizeram presentes em detalhes: pacotinhos enlaçados, uma deliciosa granola por ela preparada e uma surpreendente máquina fotográfica de brincar, feita de papelão.


O Relicário nos ensina a olhar para a matéria mais trivial e nela ver beleza e infinitas possibilidades. No lar de Pedro, um rolo de papelão se tornou máquina fotográfica. Aqui em casa, virou guarda-histórias e levou um pequeno conto sobre começos e tangerinas aos pais de Pedro.

É isto: uma ideia é lançada pela escola, feito semente, no campo. E de repente, o próprio campo exerce sua magia. Vamos nos aproximando dos nossos, buscando seus jardins e quintais, interessando-nos pelas manualidades que sabem fazer.

E o espaço vazio da caixa, esse lugar de plena potência, começa a ser preenchido. A caixa de Lucas para Pedro foi se enchendo com o calor das tramas de crochê feitas pela avó: uma gola de lã para aquecer, um conjunto de porta-copos para enfeitar a mesa e flocos de neve para brincar. Mamãe pôs-se a escrever, desenhar e cozinhar, e logo uma receita, um poema, uma história e um bolo puseram-se a ali também estar. As mãozinhas de Lucas encheram-se de tinta verde, azul e amarela para contar, em cores e impressões digitais, o quanto gostaria de abraçar seu amigo e transmitir um pouco de esperança e de paz.

E assim, neste dar e receber, um círculo se completa. Famílias têm a chance de se aproximar – nem que seja por poucos minutos, para dizer “está tudo bem, dentro do possível” e trocar um olhar honesto e afetuoso. Este olhar é um lugar. Um lugar sagrado. Um Relicário.

Juliana Rengel
Mãe do Lucas
15 de julho de 2020


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