quinta-feira, 15 de agosto de 2019

Teve avô e avó aqui no Relicário!


Cada avô e avó das estrelas e do primeiro ciclo foi chegando. Alguns traziam mudas de plantas, ervas, temperos. Aos poucos, com calma. O fogo foi aceso. A roda se fez. Cada criança foi encontrando os braços envolventes de seu avô ou avó. E aquelas crianças em que seus avós não puderam estar presente fisicamente devido a distância territorial encontraram avós que lhe cuidassem. Porque você sabe que colo de avós sempre cabe mais um.   



 A chuva lá fora fez com que a gente se aproximasse para prosear. E num grande roda cada avô e avó disse o nome de seus próprios pais, os bisavós das crianças. A cada nome dito o lugar foi ficando repleto da força da ancestralidade. Até que um menino disse: "eu sei o nome de meus bisavós". E com calma disse o nome de seus pais, de seus avós e de seus bisavós: de origem japonesa e nordestina. Com as palavras ditas com seus coração eles se fizeram presente. Aqui meus olhos já marejaram de emoção, minha garganta embargou. E imagine só a emoção que senti quando chegou em meus pais. Minha mãe e meu pai que envolviam minha filha em seus braços. E que ali disseram com orgulho que eram meus pais, e de minha irmã, professora do Relicário.


E depois vieram as recordações. Daquelas de infância. Da casa dos avós. De estripulias que nos fizeram rir. De histórias saudosas ou tristes que nos fizeram chorar. De mesa farta. Da costura. Da terra. Do querer ficar perto. De ouvir histórias. Da horta. Da mata. Do rio. Da rua. Do colo. Do aconchego. Tudo isso dito ali, entre as crianças, com as crianças. Quanta emoção!






E depois? Alguns foram prosear, outros foram brincar com seus netos, outros sim ficaram ali na cozinha a amassar o pão e a rosca. Teve  costura, mãos na terra para plantar, cantoria, e até um arrasta-pé ao som de música antiga entoada. E por fim uma história contada, olho no olho, bem pertinho.









E ao se despedir aquele abraço gostoso de avô e avó. De gente que tem o tempo em si, que muito percorreu e por isso tem muito para compartilhar. Gratidão imensa é o sentimento que fica. O Relicário sentiu as raízes que o sustentam com a presença de cada avô e de cada avó. Gratidão aos professores Estela, Rose, Alberto e Catita que acolheram a ideia e tornaram esta manhã harmoniosa. Gratidão à Danielli, Diane, Amanda e Shasta que cuidaram das sementes e dos girassóis para que este encontro fosse possível. 

Gisele Becker
Cofundadora, gestora e professora no Relicário de Luz.

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