segunda-feira, 20 de julho de 2020

Tesouro Escondido

Caixa do tesouro! Ah! Esse nome... Tenho a certeza que vamos lembrar por muito tempo desse nome. Esse mês, no Relicário tínhamos a proposta de trocarmos caixas do tesouro entre amigos. A professora Estela escolheu as duplas. Nosso amigo, foi o Vicente ❤. O Henrique ficou todo animado e foi difícil segurar esse menino. Queria dar ao amigo um pouco de tudo do nosso jardim e de casa. Foram três dias envolvidos em família para preparar a caixa, que o Henrique fez questão de pintar sozinho.

E num desses dias, abri as minhas gavetas de artesanato. E foi especial ver a alegria do Henrique com os botões, guardanapos decorados, tecidos e fitas. E logo veio a melhor: "mamãe você tinha tudo isso guardado? Parece até um tesouro escondido". E não é que ele tem razão, não deixa de ser o meu tesouro, com o qual já distribui muito afeto e carinho.

quinta-feira, 16 de julho de 2020

Caixa de Tesouros. De Lucas para Pedro. De Pedro para Lucas


“A caixa de tesouros do Lucas vai para Pedro”.

Lucas e Pedro. Que tesouros iriam trocar estes novos amigos de nomes antigos?

De cá e de lá, a escolha e feitura de cada tesouro se deu a muitas mãos. Mãos de crianças, mães e avós que tocaram elementos simples e corriqueiros, enchendo-os de alma. Transformando-os em qualquer coisa encantada. Em tesouros.

domingo, 31 de maio de 2020

A vontade de fazer-se comunidade...

Estou em casa. Minha filha brinca no quintal. Estou aqui admirada pelo desenrolar da manhã. Acordei pensando que hoje é dia de Pentecostes e fui ler um cadinho para me inspirar. Mas não é na leitura que encontro o que buscava. Procuro pela casa algo, mas é ali, diante de meus olhos, bem pertinho, que encontro.
Enquanto comemos pão feito em casa e tomamos café quentinho, vemos formigas a procurar alimento. Vem à memória uma música de formigas recém-criada por uma amiga de todas as épocas, professora da escola. É uma música que fala sobre formigas e o seu caminho incansável. Escutamos e cantamos, ali diante das formigas, neste céu de outono. E minha filha diz: “Mãe, posso dar um pedacinho de seu pão para as formigas? Elas estão trabalhando muito. Imagina a fome que estão sentindo”. Quando eu digo que sim, minha filha pega farelos de pão e os esmigalha mais ainda e oferece no trajeto das formigas. E fica ali a observar. A alegria toma conta dela quando vê que uma formiga levar um pedaço de pão. E ela diz “pai, pai, vem ver, a formiga está comendo do pão que você fez, eu dei um pedacinho para elas!”. Seus olhos vibram de contentamento e ela acompanha atenta o trajeto das formigas. E logo diz: “elas estão levando para comer todas juntas em casa”. Vai tirando os empecilhos do caminho e esfarela ainda mais o pão, “está muito grande para elas”. Uma leva um coquinho pequenino. “Imagina mãe, ela deve estar levando para tomar a água que tem dentro”. E continua ali por um bom tempo, vendo as formigas se encontrar, desviar, ajudar. Uma amiga da rua, desta rua pequenina sem saída aqui na zona rural a acompanha no encantamento. E logo aparecem pás de mão, balde e o desejo de fazer um formigueiro. “Vamos fazer uma experiência”, dizem elas.

quinta-feira, 28 de maio de 2020

O brincar na terra sob as bençãos do céu


Uma casa. Vasos por todo lado. Trepadeiras. Um pequeno lago de peixe. Espadas de São Jorge. Plantas ornamentais. Uma mãe com dedo verde. Presente de sua avó. O dedo? Sim. E toda a vida que emana deste. Uma vontade nascente, crescente. Um canteiro de chás. Ah! A presença da avó, como se tivesse a sussurrar "faz minha filha, faz minha neta, com ervas de benzer, com ervas de sarar". Suas mãos foram logo abrindo espaço, tirando plantas, replantando, doando. E um canteiro que tem desejo de chá, de ervas medicinais brotou. Pequeno no tamanho. Grande na intenção. E não é que esta vontade de mãe pulou para as mãos do menino. E que cuidado! Rega, conversa, reza e quer plantar. Brinca. Trabalha! Com as mãos impregnadas de terra e com a proteção do céu. A bisavó ri ao ver os meninos com desejo de quintal. Como é que o trabalho da mãe virou brincar de menino? Como é que o brincar desta mãe virou trabalho de menino? Eita! Eu cá do céu, diz a avó, abençoo minha neta e seus filhos aí na terra.

quarta-feira, 27 de maio de 2020

Sente-se ao chão de sua casa e sinta o céu de seu próprio lar.


Ao estender o pano xadrez no chão, ele já vem correndo "piquenique, mamãe!" E o sorriso toma conta do rostinho. Já vai logo pegando todos os animais e bebês da casa para nos acompanhar nesta pequena aventura: "o neném também quer comer no piquenique, mamãe", acomoda o neném e corre para trazer mais uma companhia: "o coelho também quer comer com a gente, mamãe, no piquenique". E assim vai, até achar que todos que gostariam de estar ali, estão. Senta-se cheio de animação, já vai tomando o chá, comendo o que já está servido e alimentando os que precisam. "Eu gosto de piquenique, mamãe!!!!". E assim, bem simples assim, a gente constrói memórias de afeto.


segunda-feira, 25 de maio de 2020

Com os pés na terra e os olhos na vastidão do céu.


Silêncio. A menina brinca com seu corpo. A mãe sentada ao chão observa, fotografa, olha mais uma vez. Vê o giz que a menina deixou ali. E nasce a vontade de rabiscar. Desenhar. Ao menos tentar. Lembra-se da infância e se entrega. A menina tão absorta no experimentar-se entre o céu e a terra vê a mãe com o giz. Pára. Olha. Vai até a mãe. Em silêncio senta-se ao seu lado. Vê as flores que a mãe fez e do outro lado vem o desejo de fazer nascer árvore frondosa. Sente o vento. Faz. Olha mais uma vez. Sente desejo das alturas a invadir seu espírito de menina borboleta. E faz o céu. Olha para o céu que recem desenhou. Sente-se satisfeita, protegida. Com o véu celestial. Olha para o céu azul lá no alto. Sorri. Levanta-se e volta a tentar alcançar o céu com seu corpo. A mãe continua ali, sentada. E sente falta do chão, da terra, da sustentação. Pega o giz. E o verde nasce ali. Ao chão. De suas flores até a árvore da menina. O cordão umbilical. Que é ancestral. Que é familiar. Olha o desenho. Vê. As raízes que sustentam uma árvore frondosa vem de muito longe. Suspira. Apenas, suspira. Sente-se inteira. Ali. Com os pés na terra e os olhos na vastidão do céu. A menina?! Continua ali a querer virar estrela.

Ao brincar entre o céu e a terra.



A terra. Os pés que tocam a terra. As mãos. A força dos dedos impressas na terra. A vontade de abrigar o alimento. De fazer-se pote, panela, copo, jarra. De tornar-se recipiente. As mãos da mãe moldam a terra e as memórias são despertadas. Sente-se criança pequena que brinca ao chão. Vê seu pai ali ao seu lado, avô de seus filhos. Vê sua mãe ali perto, avó de seus filhos. E aquele quentinho no peito de quem sente o amor que vem de muito longe. Sente-se recipiente repleta de um alimento nutritivo ancestral. Sente-se recipiente que oferece alimento saboroso aos seus próprios filhos. Ali ao chão do quintal de sua casa.

quinta-feira, 16 de abril de 2020

Vejo tantos Relicários por aí à brotar!

Sol. Céu azul. Em casa. Vou andar na grama fresca a lembrar a potência que foi o dia anterior. Me emociono. Agradeço. Respiro profundamente. Ah! Quanto tempo fazia! Sinto-me bem. Cada olhar, cada coração, cada sorriso, cada vontade de abraço, cada aconchego de carta, de chá, de desenho. Sinto-me Relicário de lugares sagrados. E vejo tantos Relicários por aí à brotar. Até que meus olhos veem... Me aproximo. A emoção toma conta de mim. São brotos surgindo na terra. Brotos? Vou contar.


O tempo de recolhimento se fez imperioso. Então respeitamos. E aí a pergunta? Como escola, o que temos para oferecer? Dois dias antes de tudo parar, do decreto sair em nossa cidade, teve aniversário na escola. Como sempre fazemos. Um bolo, as bandeirinhas, a história que nos recorda da jornada da criança com a sua família, a cantiga e o presente. Tudo singelo, com os mesmos movimentos, com a vivacidade do presente, e repleto de significado. À tarde veio um recado da mãe, agradecendo, estava se sentindo perdida com as últimas notícias e ter estado na escola, em algo tão profundo a fez bem. Este fato nos fez ver o que podíamos oferecer como escola, num ato de educação.

quarta-feira, 4 de março de 2020

Que o Vovô Vilmar fez!...O olhar da mãe Silvana.

Há dias venho com essa vontade de escrever sobre um homem que tenho admiração e um enorme carinho. Mas hoje ao ver meus filhos brincarem e ao ouvir do Henrique "mamãe eu amo esse deck que o vovô Vilmar fez", resolvi parar e escrever. 


quarta-feira, 5 de fevereiro de 2020

Ser Relicário, pelo olhar do pai André

Nesta noite chuvosa, ao colocar a Beatrice na cama para dar-lhe as bençãos, comentei algo, em inglês, com a Letícia. Falamos em inglês com frequência, para que Beatrice não compreenda os assuntos do mundo adulto e continue no seu universo infantil, o qual tanto prezamos, consoantes com os preceitos da Pedagogia Waldorf.

Ela logo falou: Este ano vou aprender a falar inglês com o Teacher, dando uma risadinha marota de quem pensa que logo irá adentrar em nossos temas. E ela emendou com uma pergunta: O pai da Camila (Henrique) fala alemão. Será que ele vai dar aula de alemão? Eu nem consegui responder que não sabia, e ela logo emendou outra pergunta: Papai a Gisele te convidou para dar aula no Relicário?

segunda-feira, 30 de dezembro de 2019

Jornada 2019 do Relicário de Luz

2019. Seis anos de Relicário. Olhamos para esta jornada percorrida. E quanta coisa aconteceu! Quanto encontro de olhos nos olhos!

E vamos começar logo pela manhã, com aquele acolhimento de quem recebe no portão. Ou cada criança e a família, na porta, pela materneira ou jardineira. Ou cada criança do primeiro ciclo pela professora, com aperto de mão e sorriso farto de bom dia.


Portal das crianças do Primeiro Ciclo

domingo, 17 de novembro de 2019

Passeios Encantatórios - Biblioteca e SEBO

Cada criança foi chegando com um sorriso estampado no rosto. Ali mesmo, na praça fizemos nossa roda matinal. Alguns poucos combinados e entramos na Biblioteca Pública. Chão de madeira. As crianças já foram tirando seus sapatos e com seus pés pequeninos entrando em outros mundos, vasculhando histórias nos livros. Um tempo se passou. Nos reunimos para uma poesia e uma história lida. A escuta. A história sendo contada baixinho, pertinho como se estivéssemos ao redor de um fogão à lenha. Parecia até que o dia tinha virado noite.



Passeios Encantatórios Ateliê e SEBO

Um passeio encantatório. Que há mistério! Que há encanto!


Nos encontramos no quintal do Museu de Arte de Joinville. Ali entre as árvores celebramos o aniversário da Sophia. Simples. Com história, o bolo, o suco e a música. Grandioso. Com a intensidade em que a vida pede para ser celebrada.

Banho de Chuva


Quintal
Terra
Criança
Chuva 
Gotas
Poças  

segunda-feira, 11 de novembro de 2019

Enquanto num encontro


enquanto num encontro 

a unidade tão harmônica do corpo docente 
desta escolha  
desta escola  
é coisa que emociona 

uma idealizadora que se derrama  
a cada vez que se comunica com as crianças grandes,  
responsáveis pelas crianças pequenas 


domingo, 10 de novembro de 2019

Nascimento! Celebração!

Sábado. Dia 9 de novembro. Na data em que o Relicário fez seis anos que abriu as portas pela primeira vez. Num sábado longínquo, numa casa à beira do rio, em Pirabeiraba.
Neste sábado um novo encontro. O quarto do ano de 2019. Desta vez numa casa de terra fértil no Vila Nova. Um encontro em cada época, celebrando a força que carrega cada tempo. E desta vez trouxemos a força do NASCIMENTO.
Para começar cada pessoa encontrou o seu lugar, em ordem da primeira vez que adentrou com seus pés firmes no Relicário. E os professores fizeram uma reverência as famílias que nos confiam seu mais precioso tesouro, todos os dias.
A maquete do novo espaço físico do Relicário, que será no Costa e Silva, foi apresentada. Ainda não está concluída. As crianças do Primeiro Ciclo estão fazendo com o auxílio da Camila (mãe do Davi e da Helena) e do André (pai do Joaquim e da Cecília).

segunda-feira, 4 de novembro de 2019

Gestos de amor e de cuidado.

Cada dia um gesto de amor e de cuidado.

No segunda-feira uma caixinha com escalda pés, uma cantiga, abraço apertado, olhos nos olhos e uma fala que acaricia.
Na terça-feira ervas, suculentas, uma cantiga, abraço apertado e um poema de coragem.
Na quarta-feira cartinhas, bilhetinhos e desenhos de amor. Ah! E veio com cantiga, abraço apertado, olhos nos olhos e tudo o mais.
Na quinta-feira uma mesa farta, flores e detalhes de quem cuida. Ah! E cantiga dos lábios de crianças.
E por fim, vimos e ouvimos nossas próprias famílias nos declarando amor. E ali ressoou por todo o espaço a cantiga: "Há um vilarejo ali, onde areja um vento bom. Na varanda quem descansa vê o horizonte deitar no chão".

Esta foi a semana dos professores preparada pelas famílias do Relicário. Um chamego, um aconchego de cuidado. De quem cuida e é cuidado, olhado e amado. Uma troca. De dar e receber.

Foi lindo! Não há palavras suficientes para expressar as emoções sentidas e vividas em cada dia.

segunda-feira, 14 de outubro de 2019

Festival da Primavera 2019


Um encontro. 
Uma família. 
Um encontro de família.
Família cozinhando. 
Família vendendo. 
Família ensinando. 
Família fazendo arte por toda parte! 
Um florescer primaveril.

sexta-feira, 11 de outubro de 2019

Eu não sinto mais medo!

Para que vejamos o real sentido de um momento basta sentir profundamente e abençoar. E tudo aconteceu assim.
De cerca em cerca a martelada se fez, um homem à desconstruir e construir, as crianças ao seu lado o encorajando. Ou seria um coletivo a brincar? E pouco a pouco uma espada surgiu. Pela janela vejo um menino gritar: a minha espada vai até o céu.

Uma história, todos os dias, a jardineira (também chamada de professora) vai contar: eis vinte crianças que moram nas estrelas, na Terra querem chegar. Trazem consigo sementes, bulbos e raízes para um jardim aqui plantar. O dragão por ali está sempre a vigiar pois a escuridão ele quer deixar. Mas um celeste herói, com força e coragem lutará até o inimigo fraquejar. As crianças alegres vão enfim comemorar. Com a espada presenteada cada semente vão plantar.

Rito de Micael no Maternal





Ambiente acolhedor
Música a cantarolar
A espera
O silêncio
Os olhos brilhantes a observar
A passagem pelo túnel escuro, alguns ligeirinho, outros devagar....

Passeios Encantatórios - Campo Alegre


Dia de céu límpido. Nos encontramos num lugar belíssimo, de árvores frondosas, de lago grandioso, de cabanas de madeira, de corda amarrada em árvore e de um imenso gramado para explorar. E logo fomos comer um almoço preparado por mãos de avó. Imagina a delícia.

terça-feira, 24 de setembro de 2019

O que tem de ser tem muita força....


Sonho que se sonha só, é só um sonho que se sonha só...
Sonho que se sonha junto é realidade.

"O que tem de ser tem muita força, uma força enorme", já dizia Guimarães Rosa

terça-feira, 10 de setembro de 2019

Memórias sendo eternizadas.



Pensa em aconchego de casa. Homens e mulheres tocando instrumentos e cantando, enquanto a comida está sendo preparada. Uma figura curiosa na janela e um olhar apaixonante nos olhos de uma criança ao observar todos os segredos cravados e vividos em pedras. Mãozinhas escrevendo, como um poeta inspirado por toda a energia contagiante daquela manhã chuvosa.
Mulheres dançando e crianças sorrindo.
Memórias sendo eternizadas.

Quinta-feira. 5 de setembro de 2019.
O Relicário pelo olhar de Amanda Gabrieli.

Festival da Primavera do Relicário


O Relicário abre as portas e o quintal para convidar você a celebrar a Primavera.

E olha que programação! Você pode escolher colocar a mão na terra, dançar, rir de si mesmo, ouvir boas histórias, entrar em contato com a visão sistêmica, aprimorar seu olhar para a fotografia, escutar relatos de viagem, receber bençãos de mãos reikianas, encantar-se com os cheiros, deliciar-se com quitutes saborosos, refrescar-se com um suco natural, comprar numa feira de quem faz com suas próprias mãos, participar de um almoço feito com afeto ou simplesmente caminhar por aqui para conhecer gente de bem. E se você vier com uma criança descobrirá que nosso quintal é o ambiente ideal para que o brincar livre possa vicejar.

A entrada no festival é gratuita. Se quiser venha com uma coroa de flores para o sarau-literário da manhã ou para a dança circular do final do dia.